Projeto de lei proíbe reconhecimento de união estável após a morte
Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados pode alterar de forma significativa o reconhecimento da união estável no Brasil, com reflexos diretos no Direito Previdenciário, especialmente na concessão de pensão por morte e outros benefícios do INSS.
O Projeto de Lei nº 1072/2025 propõe que a união estável não possa mais ser reconhecida após o falecimento de um dos conviventes, exigindo que a relação seja formalizada em vida para produzir efeitos jurídicos.
Entenda o projeto de lei
Atualmente, a legislação permite que a união estável seja reconhecida mesmo após o óbito de um dos parceiros, desde que comprovados requisitos como convivência pública, contínua e duradoura, com intenção de constituir família.
Com o novo projeto, essa possibilidade seria encerrada. Caso aprovado, não será possível reconhecer união estável após a morte, ainda que existam provas da convivência. Isso representa uma mudança profunda no modelo hoje adotado pelo Judiciário e pelo INSS.

Outro ponto central da proposta é a exigência de formalização obrigatória em cartório, por meio de escritura pública, para que a união estável seja reconhecida legalmente.
Segundo o texto, apenas a oficialização feita em vida garantiria os efeitos jurídicos da união, inclusive em situações como falecimento de um dos parceiros, acesso a herança e benefícios previdenciários.
Impactos diretos na pensão por morte e benefícios do INSS
No âmbito previdenciário, a proposta pode afetar diretamente o direito à pensão por morte, já que a comprovação da qualidade de dependente costuma se apoiar no reconhecimento da união estável, muitas vezes feito após o óbito.
Caso o projeto vire lei, companheiros que não tenham formalizado a união em cartório poderão perder o direito à pensão, mesmo que a convivência seja longa e amplamente comprovável por outros meios.
Argumento do projeto: prevenção de fraudes previdenciárias
O autor da proposta, deputado Antonio Carlos Rodrigues (PL-SP), sustenta que “o reconhecimento da união estável após a morte abre espaço para fraudes”, especialmente em disputas patrimoniais e previdenciárias.
Para o parlamentar, a união estável deve ser uma decisão clara e expressa entre pessoas vivas, assim como ocorre no casamento, evitando reconhecimentos tardios e questionáveis.
Tramitação e próximos passos do projeto
O PL 1072/25 tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família, além da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Para se tornar lei, o texto ainda precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.
Caso a proposta avance, o planejamento previdenciário e familiar ganhará ainda mais relevância. A formalização da união estável em vida poderá se tornar decisiva para garantir direitos futuros, especialmente em relação ao INSS.
A união estável ainda poderá ser reconhecida após a morte de um dos parceiros?
Se o Projeto de Lei nº 1072/2025 for aprovado, não. A proposta determina que a união estável não poderá ser reconhecida após o falecimento de qualquer um dos conviventes, mesmo que existam provas da convivência.
Quem não formalizar a união estável pode perder a pensão por morte?
Sim. No âmbito do Direito Previdenciário, a falta de escritura pública poderá impedir o reconhecimento da qualidade de dependente, o que pode levar à negação da pensão por morte pelo INSS.
A decisão afeta uniões estáveis já existentes?
O texto do projeto não detalha regras de transição. Caso vire lei, será necessário analisar como o Judiciário e o INSS irão tratar uniões estáveis constituídas antes da vigência da nova norma, especialmente aquelas não formalizadas.
Provas como contas conjuntas e testemunhas ainda valerão?
Se o projeto for aprovado na forma atual, essas provas podem deixar de ser suficientes, já que a escritura pública passaria a ser o principal requisito para o reconhecimento da união estável.
O projeto já está valendo?
Não. O PL 1072/2025 ainda está em tramitação na Câmara dos Deputados e precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado para se tornar lei.
O que casais em união estável devem fazer agora?
Enquanto o projeto não vira lei, a legislação atual continua valendo. Ainda assim, a formalização da união estável em cartório pode ser uma medida preventiva importante para segurança jurídica e previdenciária.
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Jornalista formado na Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) e pós-graduado em Comunicação Empresarial e Marketing Digital. Jornalista no Previdenciarista. Redator e curador de conteúdo na newsletter PrevNews. Marketing Jurídico.





